São José dos Pinhais
17/08/2019 11:29
São José dos Pinhais

População pede o fim da “praça do tráfico”; próximo da sede da GM e três quadras da Delegacia

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Jovens adolescentes consomem drogas à luz do dia, ao lado da Câmara Municipal

A menos de 100 metros da sede da Guarda Municipal e apenas três quadras da Delegacia de Polícia Civil, bem ao lado do Poder Legislativo de São José dos Pinhais, a Praça dos Missionários do Verbo Divino se tornou o maior ponto de venda de drogas a céu aberto da Região Metropolitana de Curitiba, onde a lei e a repressão policial são meramente ignoradas. Na frente da praça, alunos de um dos mais tradicionais colégios particulares da cidade vivem sob o assédio de traficantes em plena luz do dia.

Ironia ou não, mas enquanto os vereadores elaboram as leis na mesma praça, só que do outro lado da parede, os temidos traficantes oriundos de bairros como Afonso Pena, Independência, Cidade Jardim e Guatupê, permanecem de plantão no local à espera de novas vítimas, que são adolescentes, estudantes ou até mesmo os chamados ‘viciados de carteirinha’ que, desesperados, vão até a praça em busca do entorpecente para saciar o vício. Ali, encontram maconha, crack ou cocaína em pequenas porções como forma de ‘cortesia’ ou a preços ‘módicos’, que estão sempre ao alcance de todos. Viaturas policiais e da Guarda Municipal passam diariamente na frente da praça, mas ignoram tal realidade.

Traficantes vendem drogas no meio da praça e não são importunados pela polícia 

Após alguns meses monitorando o local, foi constatada a coragem de um dos traficantes que frequenta a praça e que resolveu falar. Identificado apenas por “Polaco”, por manter os cabelos tingidos de loiro, ele conta que a praça atualmente é o local mais seguro para o tráfico, já que ali frequenta, segundo ele, ‘muita gente da pesada’. “Aqui estamos seguros, nossos parceiros andam armados com pistola ponto 40, tem esquema com os ‘home’ (guardas e policiais) e ninguém nos incomoda”, conta Polaco, afirmando que a praça é deles. “Temos dinheiro e isso é o que alguns policiais gostam, eles têm medo da gente”, conclui o traficante.

Moradores e pessoas que trabalham no entorno da praça afirmaram que por incontáveis vezes procuraram a polícia para denunciar o tráfico, mas a resposta é sempre a mesma. “Não temos pessoal e nem viaturas para monitorar o local”. Esta afirmação foi confirmada por um dos agentes municipais, na sede da Guarda Municipal, que fica quase na frente da praça. “Não adianta prendermos esses caras, pois quando a gente os leva para a delegacia, um advogado já está à espera ou até mesmo o delegado faz a liberação alegando superlotação na cadeia e o traficante volta para a praça, rindo da gente”, diz o guarda municipal que pede para não ser identificado.

Outro fato que confirmou medo ou omissão da polícia aconteceu na semana passada, quando foi solicitada uma viatura por meio do telefone emergencial da PM (190), denunciando o tráfico de drogas na praça. Depois de esperar por mais de uma hora, uma viatura do 17º Batalhão passou em alta velocidade pela Rua Dr. Claudino dos Santos, mas não parou no local. Para um dos vereadores que trabalha ao lado da praça, os traficantes estão desafiando a lei pela certeza da impunidade. “O que não dá pra aceitar é o fato de estarmos aqui do lado elaborando leis enquanto eles (os traficantes) cometem um crime hediondo do outro lado da parede, e ninguém faz nada” desabafa o político.

O tráfico de drogas que apavora a sociedade são-joseense viciando crianças e adolescentes estudantes que passam pelo local, na saída de um colégio que fica na frente da praça, não é novidade para ninguém, principalmente, para a polícia, já que inúmeras denúncias foram feitas por meio deste veículo de comunicação e pelos próprios moradores das imediações que, cansados de verem a ação dos traficantes, já pensam em jogar a toalha. “Aqui o tráfico cresce a cada dia e a polícia não faz nada, se não é por medo, deve ser algum tipo de acerto”, denuncia um dos servidores públicos que trabalha na Câmara Municipal, ao lado da praça.

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