Mundo

Uma direção coletiva governa Cuba, diz jornal espanhol

A aposta oficial de uma sucessão institucional e um governo de direção defensiva já está se confirmando em Cuba. Segundo o jornal El País, seis homens estão no comando durante o afastamento do presidente Fidel Castro, além do seu irmão Raúl, nomeado como representante oficial. Todos são membros do governo castrista.


Entre eles, destaca-se o secretário do Comitê Executivo do Conselho de Ministros, Carlos Lage, de 54 anos. Ele foi responsável por aplicar as reformas de abertura econômica na década de 1990 e já atua como primeiro-ministro. Felipe Pérez Roque, ministro das Relações Exteriores, é um dos colaboradores mais próximos de Fidel e junto com Lage foi secretário pessoal do presidente durante seis anos.


Outras duas peças-chave nesse cenário, de acordo com o jornal, são os comunistas ortodoxos José Ramón Machado Ventura, atual chefe da organização do Partido Comunista de Cuba (PCC) e José Ramón Balaguer, que idealizou a organização e representa com Raúl a continuidade histórica. O presidente do Banco Central de Cuba, Francisco Soberón, que também atua no processo de “recentralização“ econômica, está no mesmo grupo.


Assim como Raúl, nenhum deles apareceu em público até agora. Por enquanto, analistas e diplomatas concentram seus olhares para os movimentos do PCC e na saúde de Fidel, cujo mistério ainda continua. Os comentários informais, segundo o El País, são de que o estado do líder cubano não é grave e se recuperaria antes da próxima Cúpula do Movimento dos Países Não Aliados, prevista para acontecer entre 11 a 16 de setembro, em Havana.


Na capital, o carnaval cubano foi adiado até que haja um novo boletim médico ou aviso oficial sobre Fidel. O coordenador do Comitê de Defesa da Revolução (CDR) e sexto membro da direção, Juan José Rabilero, afirmou que está “fortalecendo a vigilância popular para evitar uma manifestação contrária à revolução“.
 
Belisa Figueiró

Médicos sem Fronteiras