Paraná

Trabalho Infantil e escravo são fruto da crise no setor madeireiro

O delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, afirma que o trabalho infantil encontrado em carvoarias de assentamentos de Sem Terras, em Bituruna, é apenas a ponta de um iceberg. Entre o ano passado e este, o setor da madeira fechou 4.930 empregos e, com isto, a Região Sul do Estado passou a apresentar um aumento de criminalidade e problemas sociais muito graves. “Não é por acaso que a Delegacia Regional do Trabalho (DRT/PR) tem encontrado trabalho infantil em várias regiões do Paraná, além de trabalho escravo no setor madeireiro“, diz Serathiuk.


Segundo ele, o desespero pela sobrevivência é o que leva as crianças ao trabalho infantil e adultos ao trabalho escravo. A causa para toda essa situação, afirma o delegado do Trabalho, foi o modelo de desenvolvimento implantado no Paraná que, para desenvolver algumas atividades de exportação de grande escala como soja, açúcar, frango e madeira para celulose, deixou a agricultura familiar sem crédito, levou a concentração da terra, a migração de milhares de pessoas para as periferias, deixando regiões do Estado com Índices de Desenvolvimento Humano abaixo de regiões pobres do país.


Acoplado a isso, continua Serathiuk, o sistema educacional público não recebeu incentivos. “Ao contrário do que aconteceu com o sistema educacional superior privado que, em virtude dos incentivos recebidos, tornaram-se fábricas de diplomas, pagos com o sacrifício de famílias que compraram a ilusão do emprego para a juventude”, disse. Para ele, a sociedade está colhendo os frutos de um crime cometido num passado recente. “Com a implantação do sistema de produção que trouxe o pedágio, concentrou crédito e incentivos fiscais nas mãos de poucos, o resultado final só poderia ser trabalho infantil, escravo, aumento da criminalidade, doenças e acidentes de trabalho, entre outros fatores que acometem os trabalhadores“, ressaltou Serathiuk.


Mesmo com a geração de 330.000 novos empregos nos últimos três anos, a retomada do apoio à agricultura familiar, a ampliação dos programas de transferência de renda, políticas de crédito e fiscais para os pequenos e médios empresários e o investimento na educação pública, o Paraná vai conviver com as conseqüências da implantação de um sistema de produção concentrador e excludente por algum tempo.


Delegacia Regional do Trabalho no Paraná
Seção de Comunicação Social


 

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