Mundo

Resolução sobre conflito no Líbano prestes a ser votada

As negociações diplomáticas com intenção de produzir a resolução para um cessar-fogo no Líbano avançaram nesta sexta-feira, aumentando as esperanças de que uma trégua irá abrir o caminho para o envio de tropas internacionais. Essa medida faz parte do documento que pretende acabar com o conflito entre Israel e Hezbollah, que já dura um mês, de acordo com o jornal israelense Haaretz .


O embaixador dos EUA,John Bolton, disse nesta sexta-feira que negociadores estão próximos de chegar a um acordo sobre a proposta de resolução pelo cessar-fogo.


“Estamos agora muito, muito perto de um acordo e esperamos votar ainda na tarde de sexta-feira“, afirmou o embaixador a repórteres.


Ao longo da quinta-feira os negociadores acreditavam ter avançado, mas Beirute rejeitou o envio de tropas da ONU com a permissão de uso da força não só para autodefesa.


Bolton e o embaixador francês Jean-Marc de la Sablière trabalharam até tarde na quinta-feira realizando as mudanças para obter a aprovação do Líbano e de Israel.


A secretária de estado dos EUA, Condoleezza Rice foi a Nova York para pressionar por um acordo. Segundo o porta-voz Sean McCormack, “estamos pressionando para conseguir isso ainda hoje. Creio que conseguiremos“.


Segundo a Reuters, líderes libaneses fizeram “grandes avanços“ nas negociações com os EUA nesta sexta-feira. “Estamos discutindo os detalhes. Há grandes e sérios avanços que poderiam levar a um entendimento nas próximas horas”, de acordo com político libanês. “Não há mais pontos de atrito nas questões básicas“. Já os militares israelenses se opõem ao documento.


Diplomatas israelenses e americanos acreditam que a resolução possa ser aprovada nesta sexta-feira ou no sábado, segundo o embaixador de Israel na ONU, Dan Gillerman.


Gillerman insinuou na quinta-feira que a diplomacia de Beirute é imatura. “O Líbano mantém a mesma posição até agora, posição que faz tantas demandas que pode até ser chamado de bebê chorão“.


Segundo Gillerman, essa postura “os ajuda de vez em quando e eles são fielmente representados pelos três ministros do exterior da Liga árabe que vieram a Nova York após o encontro em Beirute“. O embaixador não acredita que as demandas do Líbano serão a base do documento, ao dizer que “é possível que o plano de sete pontos de Saniora possa ser mencionado em algum lugar (da resolução final), mas certamente não servirá como base da proposta (de resolução) ou como uma condição para a proposta.


Gillerman disse ainda que a proposta russa de cessar-fogo humanitário por 72 horas iria apenas permitir ao “Hezbollah se recuperar e achamos que é má idéia“. No entanto o embaixador afirmou que mesmo assim a Rússia não iria vetar a versão de resolução que está sendo preparada.


Uma fonte política libanesa disse na quinta-feira que as partes procuram acertar os últimos pontos da versão final do documento. A nova versão pede por uma retirada “progressiva“ israelense. “Os americanos mudaram de posição. Um acordo com os franceses também está próximo“, afirmou à agência Reuters.


“O avanço se deu com a inclusão do pedido de retirada progressiva das tropas israelenses ao mesmo tempo em que tropas libanesas, apoiadas por tropas da ONU, são enviadas.” Como parte do acordo, Hezbollah deve sair da região ao sul do Rio Litani.


A fonte disse ainda que após 30 dias outra resolução será aprovada, declarando o cessar-fogo e fornecendo soluções para a liberação dos soldados israelenses seqüestrados, dos prisioneiros libaneses e desarmando o Hezbollah.


Generais de Israel em forte oposição aos termos do cessar-fogo


Uma das questões que retarda o acordo gira em torno da disputa pelo território conhecido como Fazendas de Sheeba. O primeiro-ministro israelense rejeitou a proposta franco-libanesa que previa a retirada de Israel da área, e a sua transferência para uma força internacional até a ONU decidir quem tem o direito de ocupação. A nova proposta apenas menciona que a disputa da fronteira libanesa, que inclui as fazendas de Sheeba, deve ser resolvida ,e instrui o secretário-geral, Kofi Annan, a propor um plano para isso.


Fontes do governo expressaram satisfação com a nova proposta, pois incluiria uma força internacional e o desarmamento do Hezbollah na área ao sul do Rio Litani.


Ainda assim, o ministro da defesa e os generais das forças israelenses fazem forte oposição ao cessar-fogo, e os militares acusam Olmert de bloquear o avanço do exército até o Rio Litani, negando assim significativo avanço militar.


Os oficiais apontam que a proposta de resolução atual é muito problemática para Israel, pois não faz menção ao retorno imediato dos soldados seqüestrados (o documento pede o retorno, mas não está entre as cláusulas operativas), não inclui um mecanismo de monitoração para evitar o envio de armas ao Hezbollah, e não garante o desarmamento da organização.


“Nós entendemos que a liderança quer fazer o possível para poupar as vidas dos nossos soldados, mas há muito a se pesar“, disse um militar. “Temos que continuar“.


Os militares argumentam que o gabinete deveria ter permitido a ampliação da ofensiva aprovada nesta quarta-feira para que ela tivesse início imediata, criando assim uma pressão por cessar-fogo mais favorável a Israel. Segundo os generais, atrasando a operação essa oportunidade foi perdida.
  

Médicos sem Fronteiras