Esporte

Penúltimo passo para a América

Não é por acaso que as duas melhores equipes do futebol brasileiro começam a decidir hoje, no Morumbi, a partir das 21h45, o título mais importante do futebol latino-americano. São Paulo e Internacional confrontam seus estilos vitoriosos, dentro e fora do gramado, no primeiro duelo da final da Taça Libertadores da América. “Não há surpresas, chegaram à final os clubes que melhor se prepararam“, resumiu o técnico Muricy Ramalho, que levou o São Paulo à decisão e formou o elenco rival, quando trabalhou no Beira-Rio, até o ano passado.


São Paulo e Internacional podem ser definidos taticamente como clones, por conta da semelhança da forma de atuar e da característica de seus jogadores. Em ambos os casos, a estratégia, que varia de um 3-5-2 para um 3-6-1, se baseia na força do sistema defensivo. O trio de retaguarda são-paulino é formado por Fabão, Lugano e Edcarlos, enquanto os gaúchos apostam em Bolívar, Fabiano Eller e Índio.


Nas laterais, outra igualdade. Elder Granja e Jorge Wagner começaram carreira no meio-campo, assim como Souza. Porém, todos têm liberdade para avançar e fazer jogadas pelo meio – a exemplo de Júnior, que reveza com Danilo. “Como o Souza, também Granja e Jorge Wagner jogavam no meio e insisti para que virassem laterais“, conta Muricy. “Nenhum quer voltar à antiga posição“.


No São Paulo, a habilidade de Danilo só funciona se houver a retaguarda dos volantes Mineiro e Josué. Os dois são-paulinos chegam com eficiência ao ataque – Mineiro fez gol decisivo contra o Chivas, na semifinal. O meio-campo gaúcho trabalha da mesma maneira. Alex, mais veloz do que Danilo, precisa que Tinga e Edinho lhe dêem cobertura para levar o time à frente. Tinga também participa de jogadas ofensivas.


“O Inter tem estilo bem parecido com o do São Paulo, de jogar bonito e de forma eficiente“, elogiou Muricy. “Meu time não joga bonito, joga como gaúcho“, rebateu Abel Braga, bem humorado.


No ataque, Fernandão é a referência para os colorados, assim como Ricardo Oliveira, para os são-paulinos. A vantagem gaúcha é que Fernandão, apesar de não possuir tanta mobilidade quanto o atacante rival, marcou mais gols este ano (8 a 6).


Rafael Sóbis também tem estilo de jogo parecido com o de Leandro: além de atacar muito pelas pontas, ambos executam a importante função de voltar para ajudar na marcação. Pela raça que demonstram, têm forte identificação com as torcidas. “O Inter também é parecido com o São Paulo em outro aspecto: quando joga em casa, se torna quase imbatível“, elogiou o goleiro Rogério Ceni.


E é exatamente debaixo das traves que está a maior diferença entre os finalistas. Enquanto Clemer sempre foi questionado pelos clubes que defendeu, Rogério é ídolo máximo dos são-paulinos e está a um gol de se tornar o maior goleiro artilheiro da história (tem 62).


Não é apenas dentro de campo que os clubes se parecem, porque as diretorias também têm mostrado competência nos últimos anos. O São Paulo terminou 2005 com um superávit de aproximadamente R$ 10 milhões e detém os melhores contratos de publicidade do futebol brasileiro. O clube gaúcho contabiliza 40 mil sócios e vê na Libertadores a chance de se projetar fora do país.


Não faltarão oportunidades de aparecerem no cenário internacional, já que o prêmio para o campeão é a disputa do milionário Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, no Japão. Também participarão do torneio o Barcelona, da Espanha (campeão europeu), o América, do México (Concacaf), e o Auckland City, da Austrália (Oceania). África e Ásia decidirão seus campeões deste ano em novembro.

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