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Países islâmicos querem participar da força de paz no Líbano

Os países da Organização da Conferência Islâmica (OCI) pediram nesta quinta-feira, durante uma reunião extraordinária em Kuala Lumpur, a cessação imediata dos ataques de Israel ao Líbano, e reivindicaram que suas tropas sejam incluídas na futura força multinacional de pacificação.


Em princípio, segundo fontes do bloco, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Turquia se dispõem a contribuir com pessoal.


“Queremos uma contundente condenação à agressão de Israel“, disse o chanceler libanês, Fawzi Salloukh.


O primeiro-ministro da Malásia, Abdullah Badawi, cujo país ocupa a Presidência da organização, criticou a “falta de coragem“ da ONU para condenar os ataques ao Líbano, iniciados por Israel há quase um mês, e dar um fim à crise.


“Temos que demonstrar que estamos preparados para contribuir com nossas forças na operação de pacificação autorizada pelas Nações Unidas“, disse Badawi.


O primeiro-ministro do Paquistão, Shaukat Aziz, ressaltou que “o fracasso da comunidade internacional, e especialmente das Nações Unidas e das superpotências, aumenta a irritação popular na região“.


“A paralisia é perigosa e pode ter conseqüências incalculáveis para a paz a longo prazo“, acrescentou.


Os presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, e os primeiros-ministros da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e de Bangladesh, Begum Khaleda Zia, participaram da reunião extraordinária.


“Não estamos aqui para incitar mais derramamento de sangue. Ao contrário, nos reunimos com o propósito de um firme apelo aos líderes israelenses a fim de que parem com a violência“, disse em seu discurso a primeira-ministra de Bangladesh.


Ahmadinejad, que chegou à Malásia pouco antes do começo da reunião, não quis falar à imprensa.


Além de condenar a ofensiva militar israelense, a OCI pediu à comunidade internacional que garanta as operações de ajuda humanitária de maneira “coordenada“ com as autoridades libanesas e palestinas.


“Se tudo nossas propostas falharem, nós, dos países islâmicos, teremos que redobrar os esforços e fazer algo para ajudar os libaneses e palestinos“, disse o ministro de Relações Exteriores do Iêmen, Abu Baker Al-Qurbi, sem dar mais detalhes.


A reunião de Kuala Lumpur, convocada a pedido de Irã, em princípio deveria ser restrita ao comitê executivo. Mas foi ampliada a fim de incorporar algumas das maiores nações muçulmanas do mundo.


A sessão recebeu representantes da Arábia Saudita, Azerbaijão, Bangladesh, Brunei, Egito, Emirados Árabes, Irã, Jordânia, Líbano, Malásia, territórios palestinos, Paquistão, Catar, Senegal, Síria, Turquia e Iêmen.


Influência


O ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, afirmou nesta quinta-feira que os governantes da Síria prometeram exercer sua influência sobre a milícia xiita Hezbollah como parte dos esforços diplomáticos para solucionar a crise no Líbano.


Moratinos, em entrevista coletiva antes de deixar a Síria, disse que tanto o presidente Bashar al-Assad quanto as outras autoridades sírias com as quais se reuniu em Damasco disseram que o país quer ser uma parte da solução, e não do problema.


Os líderes sírios afirmaram que “vão exercer toda a sua influência sobre o Hezbollah, mas têm que mudar as circunstâncias e o contexto político e militar no Líbano“, acrescentou.


 


 



 


 


 


 

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