Mundo

Ofensiva israelense fez mais de 900 mortes no Líbano

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, disse que mais de 900 pessoas morreram no Líbano desde o início, há 22 dias, da ofensiva militar israelense contra o país. Siniora fez a avaliação em mensagem de vídeo enviada à assembléia extraordinária da Organização da Conferência Islâmica (OCI) na Malásia sobre a crise no Líbano.


O primeiro-ministro libanês também afirmou que durante a guerra não declarada entre Israel e o Hezbollah cerca de 3 mil pessoas ficaram feridas. Do total, um terço é de menores de 12 anos.


Do total de 3 mil feridos, um terço é de menores de 12 anos.


Siniora condenou a ofensiva israelense por afetar diretamente a vida dos civis libaneses, as infra-estruturas e a economia do país. O Alto Conselho de Auxílio criado pelo governo libanês após o início da ofensiva israelense, dia 12 de julho, tinha calculado na quarta-feira em 841 o número de mortes causadas pelos bombardeios israelenses contra o Líbano.


Segundo o conselho, 3.243 pessoas foram feridas, enquanto o número dos desabrigados chega a 913.760 pessoas.


Retomada dos bombardeios


A aviação israelense bombardeou hoje alvos na zona sul de Beirute, assim como o sul, norte e leste do Líbano, segundo rádios locais, que não informaram sobre vítimas. Mísseis israelenses mataram três pessoas na vila de Taibe, próxima a fronteira com Israel. Testemunhas afirmam que ao menos quatro mísseis atingiram o sul de Beirute. O subúrbio de Dahieh, área dos muçulmanos xiitas, têm sido atacada constantemente desde o início da ofensiva, há três semanas.


A televisão libanesa disse que os ataques atingiram diversos prédios de uma instalação do Hezbollah no bairro de Ruweis. O sul de Beirute é um dos redutos do Hezbollah. Os aviões de combate israelenses ainda ameaçaram a capital libanesa em vôos rasantes.


Aviões israelenses também lançaram mais de 12 mísseis em estradas e supostos esconderijos de guerrilheiros, segundo oficiais libaneses. Segundo os oficiais, a ação faz parte da estratégia israelense de destruir a infra-estrutura libanesa a fim de impedir a circulação entre as vilas.


Zona de Segurança


O Exército israelense quer completar nesta quarta-feira a mobilização de suas forças na zona militar especial, no sul do Líbano. A ação tem como objetivo impedir que a milícia xiita Hezbollah ataque o norte de Israel antes da chegada de uma força internacional.


A “faixa de segurança“ se estenderia de seis a oito quilômetros a partir da fronteira entre Israel e Líbano, equivalente à região ocupada pelas forças israelenses até sua retirada do sul do Líbano, em maio de 2000. A exceção seria uma área situada ao nordeste da localidade israelense de Metula, onde o Exército de Israel decidiu não operar por enquanto. Segundo fontes militares israelenses, sua força no sul do Líbano, com cerca de 10 mil homens, é formada por seis brigadas de infantaria e forças blindadas, além de incluírem um número indeterminado de reservistas.


A presença militar na “zona de segurança“ deve aumentar com o posicionamento de mais reservistas, que já foram mobilizados na semana passada.


A imprensa local, que cita fontes militares, afirma que o exército israelense poderia estender a faixa de segurança até o rio Litani, a 30 quilômetros da fronteira entre Israel e Líbano. O Governo israelense autorizou nesta quarta-feira as operações propostas pelas Forças Armadas, para que as tropas avancem posições. Segundo Israel, o atual objetivo da campanha, que já dura 23 dias, é destruir a infra-estrutura do Hisbolá – como armazéns de armas, munição e sistemas de comunicação -, em uma tentativa de neutralizar o lançamento de foguetes de curto e médio alcance contra território israelense.


Outros ataques atingiram a região norte do Líbano, próxima à fronteira com a Síria. Esse foi o segundo ataque em 24 horas.

Médicos sem Fronteiras