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Número de libaneses mortos em conflito chega a mil

O governo do Líbano informou que o número de vítimas libanesas no conflito entre o Hezbollah e Israel, iniciado no dia 12 de julho, pode chegar a mil. Nesta terça-feira, Israel alertou a população que os automóveis que circularem ao sul do Rio Litani serão bombardeados.


Pelo menos cinco pessoas morreram nesta terça-feira e outras 25 ficaram feridas em um bombardeio israelense contra a localidade libanesa de Ghazie, perto da fronteira entre Líbano e Israel, informaram fontes policiais. Segundo os dados oficiais do Governo de Beirute, pelo menos 998 pessoas morreram no Líbano desde o início dos ataques israelenses, em 12 de julho. Além disso, quase 3.500 pessoas ficaram feridas e mais de 915.000 abandonaram suas casas.


Na segunda-feira mais de 50 libaneses morreram em um dos dias mais sangrentos da guerra. No domingo, o Hezbollah matou 15 israelenses, maior número de mortos do Estado judeu em um só dia, desde o início do conflito.


O bombardeio israelense aconteceu poucas horas depois de a Resistência Islâmica – braço armado do Hezbollah – assegurar que violentos confrontos entre seus milicianos e tropas israelenses estavam ocorrendo nas imediações de Ras Naqura, no extremo oeste da fronteira. A Resistência Islâmica já tinha dito anteriormente que seus combatentes destruíram dois tanques israelenses e “mataram ou feriram“ seus ocupantes no sul do Líbano.


Veículos serão bombardeados


Nesta terça-feira Israel advertiu a população libanesa, através de panfletos jogados por aviões, que “bombardeará qualquer veículo que circule ao sul do Rio Litani“, área ue engloba a cidade de Tiro.


“Qualquer veículo que circular ao sul do rio Litani será bombardeado pois será suspeito de transportar munição e armas para os terroristas“, segundo o texto em árabe dos panfletos. Os panfletos são assinados por “Estado de Israel“.


Ofensiva do Hezbollah


Os guerrilheiros do Hezbollah lançaram nesta terça-feira ao menos 41 foguetes Katyusha de curto alcance – cerca de 25 quilômetros – contra localidades do norte de Israel, mas a maior parte caiu em áreas despovoadas, segundo fontes militares e da Polícia.


Um homem ficou ferido na localidade fronteiriça de Kiryat Shmona, a que mais danos materiais sofreu desde o início das hostilidades – há 28 dias – e onde hoje caíram 20 foguetes, enquanto as autoridades do município verificavam os moradores que queriam sair do local.


O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em entrevista coletiva explicou que o Governo está apoiando programas para a transferência temporária de grupos de civis, após quatro semanas quase sem sair dos quentes abrigos antiaéreos.


Olmert informou que dezenas de milhares de civis da Galiléia se beneficiaram desses programas, implementados em alojamentos no centro e no sul do país.


Caso os esforços diplomáticos fracassem, o Exército israelense “não terá outra opção senão ocupar as zonas a partir de onde os guerrilheiros do Hisbolá disparam contra cidades e povoados da Galiléia“, disse aos legisladores.


A decisão sobre ampliar a campanha militar até o rio Litani, no Líbano, um plano de operações apresentado ontem pelas Forças Armadas israelenses a Olmert, será debatida amanhã pelo Gabinete de Segurança.



O Rio Litani e o conflito


O rio Litani se transformou em um dos pontos-chave para a resolução do conflito entre Israel e as milícias do Hezbollah.


Nos planos israelenses, a intenção é que os milicianos xiitas se retirem pelo menos até este rio, que fica cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira entre Israel e Líbano.


O Litani é o maior rio em extensão do Líbano, com 140 quilômetros entre sua nascente, no Vale do Bekaa (leste do país) e sua foz no Mar Mediterrâneo, na cidade de Tiro.


O Litani ficou marcado na história pela separação entre os xiitas, que ocupam o sul do rio, e os sunitas, que se encontram ao norte, enquanto as aldeias cristãs ficam espalhadas por todo o país.


Além disso, o rio abastece todo o país: rega o fértil Vale do Bekaa e é a principal fonte de água do sul do país, principalmente da cidade de Tiro, a terceira mais povoada do Líbano.


A parte final do rio também é uma das áreas mais extensas de irrigação no Líbano, com 3.264 hectares, divididas entre 1.257 fazendas que trabalham, principalmente, com o cultivo de frutas cítricas e bananas.


Nesta parte, o curso do rio é quase paralelo à fronteira com Israel, 30 quilômetros mais ao sul.


Em 1978, quando Israel entrou no Líbano a fim de sufocar as guerrilhas palestinas e afastá-las da fronteira, a operação foi chamada de “operação Litani“.


A ocupação durou até 2000, quando Israel saiu do que chamava de “faixa de segurança“ no sul do Líbano. A região foi ocupada pela milícia do Hezbollah.
 

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