Brasil

‘Ninguém consegue ser 100% honesto’, diz único inocentado

Ninguém é 100% honesto. “Assim o deputado estadual Neri Firigolo (PT) se refere ao escândalo que arrastou boa parte das cúpulas dos Poderes de Rondônia para a cadeia. Para o deputado, “Jesus Cristo era 100% honesto e de repente prejudicaram ele“.


Firigolo contou em entrevista à rádio Eldorado que no seu “íntimo“ e no seu “sentimento“ sempre desconfiou do esquema, liderado pelo presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Oliveira (PSL). Mas preferiu não se manifestar antes porque “a gente nunca pode falar uma coisa que a gente não tem provas“.


Estima-se que a quadrilha, acusada de corrupção, fraude, improbidade administrativa, venda de sentenças e lavagem de dinheiro, tenha causado um rombo de pelo menos R$ 70 milhões. O parlamentar acredita que os colegas tiveram receio de convidá-lo a participar do esquema por seus valores familiares e religiosos – Firigolo foi o único dos 24 deputados de Rondônia não citado pela PF. “Quando a gente passar dessa pra outra, a gente vai ter que prestar contas e lá não tem agravo, lá não tem adiamento, lá não tem ninguém que possa defender a gente“.


Ele taxou de “invenções“ as denúncias de que retirava, com procurações, os salários de seus assessores na Assembléia. “Foram procurações dadas no meu gabinete para abrir contas, não foram dadas para eu receber salários“.


Para justificar as procurações, Firigolo alegou que “no interior do Estado de Rondônia“, não há agências bancárias da instituição financeira que paga os salários dos funcionários da Assembléia. “Ela (a procuração) é um instrumento público. É um instrumento de confiança“, argumentou.


“Se eu quisesse ter me envolvido, teria me envolvido onde tem milhões, não onde tivesse pequenas quantidades (de dinheiro)“, prosseguiu o deputado.


Na tentativa de pôr um ponto final no assunto, Firigolo retomou o grande escândalo no seu Estado. “Essas acusações que foram feitas (sobre as procurações), foram feitas por pessoas que com certeza hoje estarão dentro do esquema que está aí estourando (na Operação Dominó)“.


Ao final, Firigolo protestou por Rondônia ser tratada como “terra de ninguém” nos jornais. “Aqui tem gente que produz muita riqueza. Gente séria, gente trabalhadora“, disse. Ele lamentou o escândalo e apostou no voto, “a melhor maneira de cassar“, como a solução para Rondônia.


 

Médicos sem Fronteiras