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MP processa 12 do Banco Rural por gestão temerária

O Ministério Público Federal em Minas ofereceu ontem denúncia à Justiça contra a presidente do Banco Rural, Kátia Rabello, e contra integrantes e ex-integrantes da diretoria-executiva da instituição, no total de 12 pessoas, por gestão temerária de instituição financeira. É a chamada Lei do Colarinho Branco.


Segundo o MPF, os denunciados exerceram as suas atividades, entre 2003 e 2005, “em desacordo com as normas de boa gestão e segurança operacional a que estão legalmente obrigados na direção de uma instituição financeira“. A acusação formal aponta irregularidades na concessão de vultosos empréstimos, “sem observância aos princípios da seletividade, garantia e liquidez“.


Dentre as operações analisadas, estão os empréstimos contraídos no Rural pelo PT, pela SMPB Comunicação e Graffiti Participações, empresas de Marcos Valério, acusado de operar o mensalão – pagamento de propina a parlamentares aliados em troca de apoio ao governo no Congresso.


Empréstimos tomados no Rural e no BMG – no valor original de R$ 55 milhões, entre 2003 e 2004 -, por meio de empresas de Valério, foram indicados pelo empresário e pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares como a origem do caixa 2 petista e do dinheiro dado a aliados.


As contas e aplicações bancárias de Valério e seus sócios na SMPB – Cristiano de Mello Paz e Ramon Cardoso – já foram bloqueadas pela Justiça mineira em pelo menos duas ações de execução movidas pelo Rural. As decisões não têm efeito prático, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia determinado o bloqueio dos seus bens.


O Rural divulgou nota alegando queão foi informado da acusação. “Ao que tudo indica, trata-se de simples conseqüência processual no âmbito do Ministério Público sobre operações de amplo conhecimento, já absorvidas patrimonialmente pelo Banco Rural“, disse. “ Banco Rural confia que, ao final, ficará demonstrada a inexistência de irregularidades“.


 Eduardo Kattah


 


 

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