Brasil

Gabeira acusa ex-ministros do PSB de usar cargos para fraudar licitações

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) acusou ontem o PSB de aparelhar o Ministério de Ciência e Tecnologia para garantir a compra de ônibus do Programa de Inclusão Digital fabricados pela Planam, empresa que funcionava como central do esquema dos sanguessugas. Segundo Gabeira, as emendas ao orçamento que irrigaram o programa foram liberadas para a atender a parlamentares do partido e os ônibus foram vendidos a preços superfaturados em esquema semelhante ao montado pela máfia das ambulâncias no Ministério da Saúde. Gabeira, que é um dos sub-relatores da CPI dos Sanguessugas, defendeu a convocação dos ex-ministros Roberto Amaral e Eduardo Campos.


Em julho, o Estado já revelara o caso de três entidades que receberam mais de R$ 3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia – pasta da cota do PSB no governo federal -, a partir de cinco emendas ao orçamento, apresentadas por deputados do partido citados no esquema dos sanguessugas, para compra de ônibus e equipamentos de informática.


É a mesma fórmula da venda superfaturada de ambulâncias para prefeituras descoberta no inicío de maio pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal, na qual foram presos 47 acusados. Foi com a revelação da PF de que havia pelo menos 90 parlamentares envolvidos na fraude – e sob suspeita de apresentar emendas ao orçamento para beneficiar o esquema em troca de propina – que o Congresso decidiu abrir a CPI para investigar o escândalo. A máfia das ambulâncias teria desviado R$ 110 milhões.


LUTA PARTIDÁRIA


“O PSB usou a inclusão digital como extensão da luta partidária. Estou tentando mostrar como um partido se apossou de um ministério e o transformou em um ministério de compadres“, afirmou Gabeira. Roberto Amaral é vice-presidente do PSB e um dos integrantes do conselho político da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Eduardo Campos é candidato ao governo de Pernambuco. Em duas gestões consecutivas, comandaram o Ministério de Ciência e Tecnologia entre janeiro de 2003 e julho de 2005.


Gabeira disse que a Finep liberou R$ 4,2 milhões para emendas de parlamentares apresentadas ao Programa de Inclusão Digital. Segundo ele, a liberação desses recursos teria sido de “forma bastante irregular, já que parte ia para entidades filantrópicas que praticamente não existiam“. Ele disse ainda que a CPI tem gravações feitas pela Polícia Federal em que Darci Vedoin, um dos sócios da Planam, afirma para um interlocutor que o ex-secretário de Inclusão Digital Rodrigo Rollemberg – também do PSB – lhe dizia que havia muito dinheiro para o programa.


O sub-relator divulgou ontem fotos de ônibus do Programa de Inclusão Digital que estariam escondidos na garagem da Viação Elite, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. São dois veículos que teriam sido comprados por cerca R$ 700 mil a partir de emenda do deputado Paulo Balthazar (PSB-RJ), um dos 90 parlamentares notificados pela CPI dos Sanguessugas.


CONVOCAÇÃO


Segundo Gabeira, os recursos para essas emendas seriam liberados por Rollemberg, que é candidato do PSB a deputado federal. Antes de ouvir os ex-ministros, ele quer convocá-lo para explicar o programa. Em nota divulgada à noite, Rollemberg reagiu às acusações de Gabeira. “O ministério executou emendas individuais de parlamentares de todos os partidos“, afirmou.


O líder do PSB na Câmara, Alexandre Cardoso (RJ), lamentou “o uso da CPI para funções eleitoreiras que podem beirar as raias da irresponsabilidade“. Cardoso garantiu ainda que nem ele nem Renato Casagrande (PSB-ES), ex-líder do partido na Câmara, apresentaram emendas orçamentárias para compra de ônibus do Programa de Inclusão Digital.


Eugênia Lopes
  
 


 

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