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Após cessar-fogo, conflitos isolados no Líbano

Tropas israelenses mataram seis guerrilheiros do Hezbollah nesta segunda-feira, no sul do Líbano, em diferentes episódios que revelam a fragilidade do cessar-fogo iniciado há poucas horas.


Quatro guerrilheiros morreram nos dois primeiros incidentes, próximo à cidade de Hadatha, menos de três horas após a trégua. Outros dois confrontos ocorreram mais tarde, perto das cidades de Farum e Shama, com um guerrilheiro morto em cada episódio, segundo militares israelenses.


Apesar dos incidentes, a trégua imposta pela ONU proporcionou uma calma na fronteira que não era vista desde o início do confronto, há um mês. É um dos primeiros sinais de que os dois lados podem começar a reconstruir suas vidas e casas.


Aproveitando a aparente tranquilidade na maior parte do país, refugiados libaneses iniciaram a volta para suas casas. O regresso tem causado congestionamentos nas estradas que levam ao sul do país. Além do grande volume de carros, os automóveis têm que realizar o trajeto desviando de crateras de bombas e de pontes destruídas


“Exceto por incidentes locais, o cessar-fogo está vigorando”, disse o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, seis horas depois do horário estabelecido para o fim dos combates e bombardeios – 8 horas (2 horas em Brasília) desta segunda-feira.


Nos três episódios após o cessar-fogo, o porta-voz do Exército de Israel afirmou que as tropas abriram fogo ao ver guerrilheiros do Hezbollah se aproximando e, aparentemente, prontos para atacar.


Os militantes “estavam muito perto, armados e ofereciam perigo às tropas“, disse o porta-voz capitão Jacob Dallal.


“Iremos atirar em qualquer um que represente perigo às nossas tropas“.


O acordo pelo cessar-fogo adotado na sexta-feira pede a Israel que pare com a ofensiva militar, mas Israel deixou claro que se reservará ao direito de proteger seus soldados.


As tropas israelenses devem continuar no Líbano até serem substituídos pelo Exército do Líbano e por tropas de paz da ONU.


A trégua em Israel


Nenhum foguete foi lançado contra o norte de Israel nas primeiras horas após a trégua, mas os israelenses que abandonaram suas casas ao alcance dos mísseis se mantém receosos sem voltar.


Em Haifa, a terceira maior cidade de Israel e alvo freqüente do Hezbollah, lojas começam a reabrir após semanas de portas fechadas.


Em Kiryat Shemona, onde mais da metade da população fugiu durante a guerra, as ruas ainda estão vazias, mas os semáforos de trânsito foram reativados. A cidade foi alvo de mais de 700 mísseis do Hezbollah. Alguns já começam a sair de seus abrigos, mas não há registro do retorno de refugiados a cidade.


O governo de Israel não recomenda que os israelenses refugiados no sul voltem para o norte do país.

Médicos sem Fronteiras