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Julgamento de Saddam é retomado sem o ex-ditador

O Tribunal Penal iraquiano retomou nesta segunda-feira o julgamento contra o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein e sete ex-colaboradores de seu regime sem a presença do ex-ditador e dos advogados da defesa, informaram fontes judiciais.


Saddam, em greve de fome desde o dia 8 de julho, não compareceu nesta segunda perante o tribunal aparentemente por ter sido hospitalizado devido à deterioração de seu estado de saúde, segundo afirmou no domingo o promotor do Tribunal Penal, Jaafar al-Moussawi.


Os advogados da defesa também não assistem à audiência desta segunda, a 38º desde o início do julgamento em outubro.


Durante esta nova audiência, o presidente da corte, o juiz curdo Raouf Abdel-Rahman, rejeitou um pedido de Barzan al-Tikrit, meio-irmão de Saddam e ex-chefe dos serviços secretos iraquianos, de adiamento da sessão para que pudesse consultar seus advogados.


Abdel-Rahman acusou os advogados de defesa de boicotar o julgamento em uma tentativa de ganhar tempo, o que “o tribunal não permitirá“. Nas audiências anteriores a corte escutou a alegação da defesa de alguns dos acusados.


Saddam e seus sete ex-colaboradores são julgados por seu suposto envolvimento na execução de 148 xiitas após um julgamento sumário realizado depois de uma suposta tentativa de assassinato contra Saddam em 1982 em Dujail, a 70 quilômetros ao norte de Bagdá.


Assim que forem encerradas as alegações da equipe defensora, começará a fase de definição da sentença.


Saddam e vários de seus ex-colaboradores comparecerão perante a Justiça no dia 21 de agosto, mas desta vez por genocídio contra a população curda, segundo informou no mês passado o Tribunal Penal Supremo Iraquiano em comunicado.


Neste caso, as acusações se referem aos ataques, inclusive com armas químicas, lançados contra o Curdistão iraquiano na “campanha de Al-Anfal“ em 1987 e 1988, nos quais milhares de curdos foram assassinados ou desapareceram.

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